A tiróide é uma glândula que se localiza no pescoço, responsável pela produção de uma hormona essencial para a regulação do metabolismo de todo o organismo.

As doenças da tiróide com potencial de cura cirúrgica podem estar relacionadas com a secreção excessiva da hormona (hipertiroidismo) ou com a alteração da morfologia da glândula (nódulos).

Nesta área poderá encontrar informação simplificada acerca de algumas doenças da tiroide, seu diagnóstico e opções de tratamento.

Esclarecemos e desmistificamos também questões relacionadas com o que poderá esperar do pré e pós-operatório, assim como a possibilidade de existência de complicações decorrentes da cirurgia.

Produz hormonas, conhecidas como T3 (triiodotironina),T4 ( tiroxina) e calcitonina que, de um modo geral, regulam o metabolismo, o crescimento e as concentrações de cálcio no sangue.

A cirurgia da tiroide pode estar indicada tanto nas doenças que afetam a estrutura da glândula (benignas e malignas), como nas doenças que alteram o seu funcionamento.

Os nódulos da tiroide causam habitualmente uma grande preocupação na população pelo receio de cancro. Contudo, menos de 15% dos nódulos detetados numa ecografia da tiroide são malignos. O seu médico pedirá os exames adequados para determinar se há necessidade de ser operado.

Há situações em que o seu médico lhe poderá falar de alternativas à cirurgia. Estas, são discutidas consigo e aplicam-se ao seu caso. Ou seja, não há uma mesma solução, igual para todos os doentes.

Em termos de alternativa, os doentes podem ser mantidos em vigilância clínica, mesmo em alguns casos de tumores malignos, particularmente se estes tumores forem muito pequenos, forem pouco agressivos  ou se o doente tiver um risco elevado de complicações para cirurgia.

Outra alternativa é o recurso a técnicas invasivas não cirúrgicas que permitem, em certos casos, diminuir o tamanho dos nódulos. Essas técnicas vão “queimar” os nódulos recorrendo a geradores de radiofrequência, de microondas ou de laser.

Nos doentes com hipertiroidismo, dependendo do que causou o aumento de hormonas da tiroide no sangue, devem ser consideradas outras opções de tratamento (nem sempre definitivas) como o uso de medicação específica ou o tratamento com iodo radioativo.

De um modo geral, para além dos exames de sangue, radiografia aos pulmões e ECG, habituais em todos os tipos de cirurgia, é necessário ser observado por um médico otorrinolaringologista que fará um exame das cordas vocais (laringoscopia). 

Este exame é de grande importância porque imediatamente por trás da tiroide, ou aderidos a ela, encontram-se os nervos responsáveis por fazer mexer as cordas vocais, ou seja, por termos a nossa voz característica. E por isso, o seu cirurgião precisa de saber se a sua doença da tireoide provocou alguma alteração ao funcionamento dos nervos.

As opções de tratamento cirúrgico vão desde retirar apenas um dos lobos da tiroide (lobectomia) ou remover toda a glândula (tiroidectomia total). Existem diferenças quanto ao local onde se faz a incisão para retirar a tireoide:

Tiroidectomia clássica

Incisão no pescoço com cerca de 5-6 cm, abrindo a pele e afastando os músculos até chegar à tireoide. Depois, utilizando instrumentos próprios e uma técnica muito delicada, vai-se separando a tiroide de todas as estruturas com as quais a glândula contacta: artérias, veias, nervos, traqueia e esófago, até ao seu isolamento completo e a sua remoção.

É a via de abordagem mais utilizada. É adequada para a remoção de bócios de grandes dimensões e de todas as tiroides que não possam ser operadas por outra via.

Tiroidectomia por incisão fora do pescoço (extracervical ou de acesso remoto) 

Realizada através de uma ou mais pequenas incisões fora do pescoço. Pode ser realizada por via endoscópica ou robótica. Habitualmente, há duas técnicas mais utilizadas: numa delas, o acesso à tireoide faz-se por incisões na região axilar-mamilar; na outra técnica, o acesso faz-se pelo vestíbulo da boca (espaço em forma de fenda imediatamente à frente e abaixo dos dentes incisivos inferiores/gengiva). 

Se toma medicação habitual, deve informar o seu médico, principalmente se toma medicamentos para o sangue, como por exemplo aspirina ou clopidogrel, ou algum anticoagulante, como a varfarina (Varfine) ou o Apixabano.  Em algumas destas situações pode ter de alterar ou suspender a medicação.

Também é importante informar o seu médico se tiver alguma doença da coluna cervical, já que para a realização da cirurgia o doente é posicionado com algum grau de extensão do pescoço.

Depende da técnica cirúrgica, da doença e da sua gravidade e de outras patologias que o doente possa ter.

Apesar de alguns doentes poderem ser operados em Cirurgia de Ambulatório (com uma noite de internamento e alta em menos de 24h), haverá outros que necessitam de ficar internados durante alguns dias. O seu cirurgião endócrino poderá informá-lo, em função do seu caso concreto.

Habitualmente, no momento da alta, será aconselhado pelo seu Médico e/ou Enfermeiro responsável.

Se foi usada cola biológica para encerrar a pele, não leva penso e pode tomar banho tendo o cuidado de não esfregar a ferida operatória. Não necessita cuidados de penso e não deve aplicar qualquer creme sobre a ferida nos primeiros 15 dias. A cola biológica vai-se destacando com o tempo.

Se a ferida operatória foi suturada com um fio, alguns são reabsorvidos pelo organismo e não necessitam ser retirados, enquanto outros serão retirados ao fim de alguns dias (o seu médico informá-lo-á). 

A ferida deverá depois ser massajada com um creme hidratante e podem também ser-lhe indicados cremes para ajudar na cicatrização e/ou outros com silicone, para ajudar a tornar a cicatriz operatória o mais imperceptível possível.

O uso de protetor solar (ecrã total) e evitar a exposição direta ao sol, são dois cuidados fundamentais durante os primeiros meses após a cirurgia, evitando escurecimento e deformações na cicatriz por crescimento irregular do tecido cicatricial.

A cirurgia da tiroide é, geralmente, um procedimento seguro e o pós-operatório é, habitualmente, muito bem tolerado e sem dor significativa. O doente tem alta hospitalar medicado com analgésico e, em certos casos, com hormona da tiroide (esta, sob a forma de comprimido, na dose que o seu médico entender adequada para si, deve ser tomada diáriamente, 30 minutos antes do pequeno almoço).

Pode haver alguma dor na região da nuca nos primeiros dias após a cirurgia, nomeadamente em idosos e em doentes com alguma patologia prévia da coluna cervical (informe o seu médico antes da cirurgia). 

É natural haver algum mal-estar na região da cicatriz cirúrgica, que passa habitualmente com o analgésico prescrito pelo seu cirurgião no momento da alta e aplicação de gelo local (protegido).

Pode comer e beber normalmente, sem nenhuma restrição. Pode existir algum desconforto inicial ao engolir, que normalmente desaparecerá em poucos dias.

Normalmente não há restrições absolutas à condução automóvel, mas deverá evitar fazê-lo durante a primeira semana após a cirurgia. 

As complicações são raras e na maioria das vezes são transitórias (resolvem em algumas semanas).

A complicação mais frequente é o hipoparatiroidismo (diminuição da hormona PTH que regula o cálcio no nosso organismo). Pode acontecer em doentes operados de tiroidectomia total ou totalização de uma cirurgia prévia, sobretudo em doentes com bócios muito volumosos, doença maligna avançada ou tiroidite).

No pós operatório são pedidas análises com doseamento da hormona e do cálcio. Seguidamente, o seu médico, fará as correções necessárias com cálcio e vitamina D de modo a diminuir os efeitos da complicação.

Podem surgir alterações da voz. Os nervos que inervam e controlam o movimento das cordas vocais estão situados atrás da tireoide, muitas vezes aderentes à glândula.  Estes nervos são estruturas muito finas e frágeis, medindo cerca de 1mm de diâmetro, ou menos, pelo que pequenos traumatismos a que possam ser sujeitos durante a remoção da tireoide, podem fazer com que a voz fique rouca e/ou mais fraca. 

Apesar de muito rara, esta complicação é habitualmente de recuperação rápida. Se persistir ao fim de algumas semanas, pode ser necessário observação especializada e fazer terapia da fala, para que esta recuperação seja mais eficaz.

Outras complicações possíveis são a hemorragia e a infecção, mas são ainda mais raras.

O regresso ao trabalho depende do tipo de trabalho que desempenha e do tipo de cirurgia que fez, pelo que o seu cirurgião deverá ser questionado em relação à sua situação particular.

De um modo geral, se for um trabalho sem grande esforço físico, poderá reiniciar a sua atividade profissional após 1 a 2 semanas. Se for um emprego que exija maior força física, deverá recuperar mais um pouco e reiniciar após 3 a 4 semanas.